Bulimia Nervosa

O que é?

A Bulimia Nervosa é uma perturbação do comportamento alimentar grave, caracterizada por episódios recorrentes de ingestão compulsiva de alimentos (ingestão de uma grande quantidade de comida num curto período de tempo, com uma sensação de perda de controlo), seguidos por comportamentos compensatórios inapropriados para prevenir o ganho de peso. A autoestima destes doentes está excessivamente influenciada pela forma e peso corporal.

Sintomas

Os sintomas centrais são os episódios de ingestão compulsiva e os comportamentos compensatórios. Os métodos compensatórios mais comuns incluem o vómito auto-induzido, o uso indevido de laxantes, diuréticos ou outros medicamentos, o jejum ou o exercício físico excessivo. Os doentes com bulimia geralmente mantêm um peso normal ou ligeiramente acima do normal, o que pode tornar a doença menos visível para os outros. O vómito recorrente pode levar a sinais físicos, como o desgaste do esmalte dentário, o inchaço das glândulas salivares (rosto ‘inchado’) e o sinal de Russell (calosidades nos nós dos dedos).

Causas

As causas são multifatoriais, envolvendo uma interação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e socioculturais. Fatores psicológicos incluem a baixa autoestima, o perfecionismo e a insatisfação com a imagem corporal. A pressão sociocultural para atingir um ideal de magreza desempenha um papel muito importante. Frequentemente, a bulimia coexiste com outras perturbações psiquiátricas, como a depressão, a ansiedade ou as perturbações de personalidade.

Como Prevenir?

A prevenção passa por promover uma imagem corporal positiva e uma relação saudável com a comida desde a infância e adolescência. Programas de educação em escolas que abordem a literacia mediática (para uma visão crítica dos ideais de beleza irreais), a autoestima e a alimentação saudável podem ser úteis. Identificar e intervir precocemente em jovens que mostrem uma preocupação excessiva com o peso e a dieta é fundamental.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, que incluem a ocorrência de episódios de ingestão compulsiva e comportamentos compensatórios, em média, pelo menos uma vez por semana durante três meses. O médico deve realizar uma avaliação para despistar as complicações médicas da doença, como desequilíbrios eletrolíticos (níveis baixos de potássio, que podem causar arritmias cardíacas), que podem ser detetados em análises ao sangue.

Tratamento

O tratamento requer uma abordagem multidisciplinar. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), especificamente adaptada para a bulimia, é o tratamento psicoterapêutico com mais evidência. A nível farmacológico, os antidepressivos, especialmente a fluoxetina em doses elevadas, demonstraram ser eficazes na redução dos episódios de ingestão compulsiva e do vómito. O acompanhamento nutricional por um dietista é também essencial para restabelecer um padrão alimentar normal e saudável.

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