Nevralgia do Trigémeo

O que é?

A Neuralgia do Trigémeo (ou nevralgia) é uma condição de dor crónica que afeta o nervo trigémeo (o quinto par de nervos cranianos), responsável pela sensibilidade da maior parte da face. É considerada uma das dores mais intensas que um ser humano pode experienciar, manifestando-se como ataques súbitos, breves e lancinantes de dor tipo choque elétrico num dos lados da face.

Sintomas

O sintoma definidor é uma dor facial paroxística (em ataques), unilateral, descrita como um choque elétrico, facada ou queimadura, de intensidade extrema. Os ataques são muito breves (de segundos a dois minutos), mas podem ocorrer em salvas. A dor segue o trajeto de uma ou mais das três divisões do nervo trigémeo (oftálmica, maxilar ou mandibular). Existem ‘zonas-gatilho’ na face, e estímulos tão leves como falar, mastigar, lavar o rosto, barbear-se ou até uma brisa podem desencadear um ataque.

Causas

A causa mais comum (neuralgia do trigémeo clássica) é a compressão do nervo trigémeo na sua entrada no tronco cerebral por um vaso sanguíneo (geralmente uma artéria) que pulsa contra o nervo, desgastando a sua bainha de mielina e causando ‘curtos-circuitos’ elétricos. Causas secundárias (neuralgia sintomática) podem incluir tumores cerebrais, esclerose múltipla ou outras lesões que afetem o nervo.

Como Prevenir?

Não existem medidas específicas para prevenir o aparecimento da neuralgia do trigémeo, especialmente a forma clássica causada por compressão vascular. A prevenção foca-se em evitar os gatilhos que desencadeiam as crises de dor. Os doentes aprendem a evitar tocar em certas áreas do rosto ou a proteger a face do frio para minimizar a frequência dos ataques.

Diagnóstico

O diagnóstico é quase inteiramente clínico, baseado na história característica da dor (tipo, localização, duração, gatilhos). O exame neurológico é tipicamente normal. É fundamental realizar uma Ressonância Magnética cerebral de alta resolução com estudo angiográfico para procurar a presença de uma compressão neurovascular ou excluir causas secundárias como tumores ou placas de esclerose múltipla.

Tratamento

O tratamento de primeira linha é farmacológico, com medicamentos antiepiléticos que atuam como estabilizadores da membrana neuronal. A carbamazepina e a oxcarbazepina são os fármacos de eleição e são eficazes na maioria dos pacientes. Quando a medicação falha ou causa efeitos secundários intoleráveis, existem opções cirúrgicas. A mais eficaz é a descompressão microvascular, uma neurocirurgia que consiste em afastar o vaso sanguíneo do nervo e interpor um material isolador. Outras opções incluem procedimentos percutâneos ou radiocirurgia para danificar seletivamente o nervo e interromper os sinais de dor.

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