Insuficiência Renal Crónica

O que é?

A Insuficiência Renal Crónica (IRC), ou Doença Renal Crónica (DRC), é uma condição caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função dos rins ao longo de meses ou anos. Os rins perdem gradualmente a sua capacidade de filtrar os resíduos e o excesso de líquidos do sangue, de regular a tensão arterial, de produzir hormonas essenciais (como a eritropoetina, que estimula a produção de glóbulos vermelhos) и de ativar a vitamina D. A doença é classificada em 5 estádios, com base na taxa de filtração glomerular (TFG), sendo o estádio 5 a fase terminal, que requer terapêutica de substituição renal (diálise ou transplante).

Sintomas

A DRC é uma doença silenciosa nas suas fases iniciais (estádios 1 a 3). Os sintomas geralmente só aparecem quando a função renal já está significativamente comprometida (estádios 4 e 5). Os sintomas são inespecíficos e podem incluir fadiga, perda de apetite, náuseas, vómitos, comichão (prurido), cãibras musculares, inchaço (edema) nos tornozelos e pés, e uma diminuição da quantidade de urina. Outros sinais incluem hipertensão de difícil controlo e anemia.

Causas

As duas causas mais comuns, responsáveis por mais de dois terços dos casos, são a Diabetes Mellitus (nefropatia diabética) e a Hipertensão Arterial (nefropatia hipertensiva). Outras causas importantes incluem as glomerulonefrites (inflamação dos glomérulos, as unidades de filtração do rim), as doenças renais poliquísticas (uma doença hereditária), as obstruções prolongadas do trato urinário (ex: por aumento da próstata) e o uso excessivo e crónico de certos medicamentos, como os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).

Como Prevenir?

A prevenção da DRC passa fundamentalmente pelo controlo rigoroso das suas principais causas. A melhor prevenção é manter um excelente controlo da diabetes e da tensão arterial. Outras medidas incluem a adoção de um estilo de vida saudável (dieta equilibrada, com baixo teor de sal, exercício físico, não fumar), a manutenção de um peso saudável, uma boa hidratação e o uso prudente de medicamentos que possam ser tóxicos para os rins (nefrotóxicos), especialmente os AINEs.

Diagnóstico

O diagnóstico e o rastreio são feitos através de análises simples. Uma análise ao sangue para medir a creatinina permite estimar a Taxa de Filtração Glomerular (TFG), que avalia a capacidade de filtração do rim. Uma análise à urina (urina tipo II ou análise sumária) para detetar a presença de proteínas, especialmente a albumina (albuminúria), é um sinal muito precoce de lesão renal. Uma ecografia renal é geralmente realizada para avaliar a estrutura e o tamanho dos rins e excluir obstruções. A biópsia renal pode ser necessária para diagnosticar a causa específica em alguns casos.

Tratamento

O tratamento visa retardar a progressão da doença, controlar os sintomas e tratar as complicações. A base do tratamento é o controlo rigoroso da tensão arterial (com medicamentos como os IECAs ou ARAs, que também protegem o rim) e da glicemia (em diabéticos). A gestão inclui também restrições dietéticas (de sal, potássio e fósforo), o tratamento da anemia com agentes estimuladores da eritropoiese e ferro, e a gestão das alterações do metabolismo ósseo com suplementos de vitamina D e cálcio. Quando a doença progride para o estádio 5, o tratamento de substituição da função renal torna-se necessário, com as opções a serem a hemodiálise, a diálise peritoneal ou o transplante renal.

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