Alergias Alimentares

O que é?

Uma alergia alimentar é uma reação adversa do sistema imunitário que ocorre de forma reprodutível após a ingestão de um determinado alimento. O sistema imunitário identifica erradamente uma proteína desse alimento (o alergénio) como uma ameaça e desencadeia uma resposta protetora, libertando mediadores químicos como a histamina, que causam os sintomas. É importante distinguir a alergia alimentar, que é uma reação imunitária, da intolerância alimentar, que é uma dificuldade digestiva que não envolve o sistema imunitário.

Sintomas

Os sintomas podem surgir de segundos a minutos após a ingestão do alimento e podem afetar vários órgãos. Os sintomas cutâneos são os mais comuns e incluem urticária, angioedema (inchaço dos lábios, língua ou face) e comichão. Os sintomas gastrointestinais incluem náuseas, vómitos, dor abdominal e diarreia. Os sintomas respiratórios podem ser comichão no nariz, espirros, tosse ou falta de ar. A reação mais grave é a anafilaxia, uma reação sistémica, potencialmente fatal, que envolve múltiplos órgãos e pode causar dificuldade respiratória e colapso circulatório.

Causas

A causa é uma resposta imunitária mediada por anticorpos do tipo IgE a uma proteína alimentar específica. Os alimentos responsáveis pela maioria das alergias alimentares são o leite de vaca, o ovo, o amendoim, os frutos secos (noz, amêndoa), o marisco, o peixe, o trigo e a soja. Fatores de risco incluem ter um historial pessoal ou familiar de outras doenças alérgicas (asma, rinite, dermatite atópica). A teoria da higiene sugere que uma menor exposição a micróbios na primeira infância pode aumentar o risco de alergias.

Como Prevenir?

A prevenção primária é um tópico em evolução. Estudos recentes sugerem que a introdução precoce de alimentos potencialmente alergénicos (como o amendoim) na dieta do lactente, por volta dos 4-6 meses, pode diminuir o risco de desenvolver alergia a esse alimento. A prevenção secundária, numa pessoa já alérgica, consiste na evicção rigorosa e completa do alimento causador. Isto requer a leitura atenta dos rótulos dos alimentos e cuidado com a contaminação cruzada.

Diagnóstico

O diagnóstico começa com uma história clínica detalhada que relacione os sintomas com a ingestão de um alimento específico. Para confirmar a sensibilização a um alergénio, podem ser realizados testes cutâneos por picada (prick tests) ou análises ao sangue para medir os níveis de IgE específicos para esse alimento. No entanto, estes testes apenas indicam sensibilização, não confirmando necessariamente a alergia clínica. O diagnóstico de certeza é feito através da prova de provocação oral, um teste realizado em ambiente hospitalar em que o doente ingere quantidades crescentes do alimento suspeito sob supervisão médica.

Tratamento

O tratamento principal é a evicção completa do alimento que causa a alergia. Não existe cura. O tratamento de uma reação alérgica acidental depende da sua gravidade. Reações ligeiras podem ser tratadas com anti-histamínicos. A anafilaxia é uma emergência médica que requer a administração imediata de adrenalina (epinefrina) através de um autoinjetor, que os doentes de risco devem transportar sempre consigo. A imunoterapia oral, que consiste na administração de quantidades crescentes do alergénio para induzir tolerância, é uma opção terapêutica promissora que está a ser desenvolvida para alguns alimentos.

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