Esteatose Hepática

O que é?

A esteatose hepática, comumente conhecida como ‘fígado gordo’, é uma condição caracterizada pela acumulação excessiva de gordura (triglicerídeos) dentro das células do fígado (hepatócitos). A forma mais comum é a Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica (DHGNA), recentemente renomeada para Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD), que está intimamente ligada à obesidade e à síndrome metabólica. Uma percentagem destes doentes pode desenvolver inflamação (esteato-hepatite ou MASH), que pode progredir para fibrose, cirrose e cancro do fígado.

Sintomas

A esteatose hepática é, na sua grande maioria, uma condição assintomática, sendo frequentemente descoberta de forma incidental numa ecografia abdominal ou numa análise de sangue de rotina que revela uma ligeira elevação das enzimas hepáticas (transaminases). Quando existem sintomas, estes são geralmente vagos, como fadiga ou um ligeiro desconforto no quadrante superior direito do abdómen.

Causas

A causa mais comum é a MASLD/DHGNA, que está associada à resistência à insulina, sendo os principais fatores de risco a obesidade, a diabetes mellitus tipo 2, a dislipidemia (colesterol e triglicerídeos elevados) e a hipertensão arterial. A segunda causa mais comum é o consumo excessivo de álcool (doença hepática gordurosa alcoólica). Outras causas podem incluir a perda de peso rápida, o uso de certos medicamentos ou a malnutrição.

Como Prevenir?

A prevenção da doença hepática gordurosa não-alcoólica está diretamente ligada à prevenção da síndrome metabólica. As medidas mais importantes são a manutenção de um peso corporal saudável através de uma dieta equilibrada e a prática regular de atividade física. Uma dieta de estilo mediterrânico, pobre em açúcares processados (especialmente frutose) e gorduras saturadas, é particularmente benéfica. Para a forma alcoólica, a prevenção é a moderação ou abstinência de álcool.

Diagnóstico

O diagnóstico é suspeitado quando se deteta uma elevação das enzimas hepáticas ou quando uma ecografia abdominal (o exame de imagem inicial mais comum) mostra um fígado ‘brilhante’, sugestivo de infiltração gorda. Para distinguir a esteatose simples da esteato-hepatite (MASH) e para quantificar a fibrose, podem ser usados métodos não-invasivos como a elastografia (Fibroscan®) ou scores baseados em análises de sangue. A biópsia hepática é o método mais preciso, mas é reservado para casos de diagnóstico incerto ou para avaliação da gravidade.

Tratamento

Não existe um tratamento farmacológico aprovado especificamente para a esteatose hepática. A pedra angular do tratamento é a modificação do estilo de vida. A perda de peso (idealmente 7-10% do peso corporal), conseguida através da combinação de dieta e exercício físico, é a intervenção mais eficaz, podendo reduzir a gordura, a inflamação e até a fibrose no fígado. O controlo rigoroso da diabetes e da dislipidemia é também fundamental. O consumo de café parece ter um efeito protetor.

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