Nefrite Lúpica

O que é?

A nefrite lúpica é uma das manifestações mais graves do Lúpus Eritematoso Sistémico (LES). É uma glomerulonefrite secundária causada pela deposição de autoanticorpos e de complexos imunes nos glomérulos e noutras estruturas do rim. Esta deposição desencadeia uma resposta inflamatória que pode levar a danos renais permanentes e a insuficiência renal se não for tratada de forma agressiva. Cerca de metade dos doentes com Lúpus desenvolve algum grau de envolvimento renal.

Sintomas

Os sintomas são muitas vezes inexistentes numa fase inicial, sendo a doença detetada através de análises de rotina. Quando presentes, os sinais refletem a lesão renal e incluem edema (inchaço) nas pernas e à volta dos olhos, urina espumosa (devido à proteinúria), hematúria (sangue na urina), e o desenvolvimento ou agravamento da hipertensão arterial. A presença de nefrite lúpica pode coincidir com um período de maior atividade do Lúpus noutros órgãos.

Causas

A causa é a própria doença de Lúpus. O sistema imunitário desregulado produz autoanticorpos (como o anti-DNA de dupla cadeia) que se juntam a antigénios, formando complexos imunes. Estes complexos circulam no sangue e depositam-se nos glomérulos, ativando o sistema do complemento e desencadeando uma cascata inflamatória que danifica as delicadas estruturas de filtração do rim.

Como Prevenir?

Não é possível prevenir o aparecimento da nefrite lúpica. A prevenção secundária, ou seja, evitar a sua progressão e os ‘flares’ renais, é fundamental. Isto inclui a adesão rigorosa à medicação para o Lúpus (especialmente a hidroxicloroquina, que tem um efeito protetor renal), um controlo apertado da tensão arterial, a evicção de fármacos nefrotóxicos e a monitorização regular através de análises de sangue e urina para detetar precocemente qualquer sinal de atividade renal.

Diagnóstico

O diagnóstico e a monitorização da nefrite lúpica são feitos através de análises à urina para quantificar a perda de proteínas (proteinúria) e detetar a presença de sangue e de células anormais no sedimento urinário. As análises de sangue avaliam a função renal (creatinina) e marcadores de atividade do Lúpus (anti-DNA, níveis do complemento). A biópsia renal é um passo crucial no diagnóstico, pois permite classificar o tipo e a gravidade da lesão histológica (existem 6 classes de nefrite lúpica), o que orienta o tratamento e o prognóstico.

Tratamento

O tratamento visa induzir a remissão da inflamação renal, preservar a função do rim e prevenir as recaídas. O tratamento é feito por etapas. A fase de indução, para controlar a inflamação ativa, utiliza tratamentos imunossupressores potentes, como doses elevadas de corticosteroides combinados com micofenolato de mofetil ou ciclofosfamida. Após atingir a remissão, segue-se a fase de manutenção, com doses mais baixas de imunossupressores para prevenir recaídas. Todos os doentes devem também receber tratamento de base com hidroxicloroquina e fármacos para controlar a tensão arterial e a proteinúria (IECAs/ARAs).

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