Síndrome do Intestino Irritável

O que é?

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio funcional gastrointestinal muito comum, o que significa que é um problema na interação entre o cérebro e o intestino (‘eixo cérebro-intestino’), e não uma doença estrutural ou inflamatória. Caracteriza-se por dor abdominal recorrente associada a uma alteração do hábito intestinal (diarreia, obstipação ou um padrão misto). É uma condição crónica, mas não é grave nem aumenta o risco de cancro.

Sintomas

O diagnóstico é baseado em critérios clínicos (Critérios de Roma IV) que exigem a presença de dor abdominal recorrente, em média pelo menos um dia por semana nos últimos três meses, associada a dois ou mais dos seguintes: a dor está relacionada com a defecação, está associada a uma alteração na frequência das fezes, ou está associada a uma alteração na forma (aparência) das fezes. Outros sintomas comuns incluem o inchaço ou distensão abdominal, a sensação de evacuação incompleta e a presença de muco nas fezes.

Causas

A causa exata da SII não é totalmente compreendida. Resulta de uma combinação de fatores, incluindo a hipersensibilidade visceral (os nervos do intestino são demasiado sensíveis), a dismotilidade intestinal (o trânsito intestinal é demasiado rápido ou lento), uma alteração na flora intestinal (disbiose) e uma perturbação no eixo cérebro-intestino. O stress psicológico, a ansiedade e a depressão não causam a SII, mas podem agravar significativamente os sintomas. Em alguns casos, a SII pode ser desencadeada após um episódio de gastroenterite infeciosa.

Como Prevenir?

Não existe forma de prevenir o aparecimento da SII. A gestão da condição foca-se na prevenção e no controlo dos sintomas. Isto pode ser alcançado através de modificações na dieta e no estilo de vida. A identificação e evicção de alimentos que desencadeiam os sintomas individualmente é um passo importante. A gestão do stress através de técnicas de relaxamento, psicoterapia ou exercício físico pode ser muito benéfica.

Diagnóstico

O diagnóstico da SII é clínico, baseado nos critérios de sintomas, após a exclusão de outras doenças orgânicas que possam causar sintomas semelhantes (como a doença celíaca ou a doença inflamatória intestinal). Geralmente, são realizadas análises ao sangue para excluir anemia ou inflamação. A colonoscopia não é rotineiramente necessária, mas é realizada em doentes com mais de 50 anos ou na presença de ‘sinais de alarme’ (perda de peso, sangramento retal, anemia).

Tratamento

Não existe um tratamento único para a SII; a abordagem é personalizada e focada no sintoma predominante. A base do tratamento são as modificações dietéticas, sendo a dieta pobre em FODMAPs (um tipo de hidratos de carbono fermentáveis) uma das estratégias mais eficazes. O tratamento farmacológico é sintomático: usam-se antidiarreicos (loperamida) para a diarreia, laxantes (fibras, polietilenoglicol) para a obstipação, e antiespasmódicos para a dor e cólicas. Antidepressivos em doses baixas podem ser muito úteis para controlar a dor e regular o trânsito intestinal.

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