Úlcera Péptica

O que é?

A úlcera péptica é uma ferida aberta que se desenvolve no revestimento interno do estômago (úlcera gástrica) ou na porção inicial do intestino delgado, o duodeno (úlcera duodenal). Ocorre quando os mecanismos de defesa da mucosa gastroduodenal são superados pela ação agressiva do ácido gástrico e da pepsina.

Sintomas

O sintoma mais comum é a dor na parte superior do abdómen (epigastralgia), tipicamente descrita como um ardor ou ‘dor de fome’. O padrão da dor pode ajudar a distinguir a localização: na úlcera duodenal, a dor tende a surgir 2-3 horas após as refeições ou durante a noite, e alivia com a ingestão de alimentos; na úlcera gástrica, a dor pode agravar com a alimentação. Outros sintomas incluem sensação de enfartamento, náuseas e intolerância a alimentos gordos. As complicações graves podem ser o primeiro sinal e incluem a hemorragia (vómitos com sangue ou fezes pretas), a perfuração (dor abdominal súbita e intensa) e a obstrução (vómitos persistentes).

Causas

As duas causas principais são responsáveis pela esmagadora maioria das úlceras pépticas: a infeção pela bactéria Helicobacter pylori e o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), incluindo a aspirina. A H. pylori enfraquece a barreira protetora da mucosa, enquanto os AINEs diminuem a produção de substâncias que a protegem. O tabagismo é um fator de risco importante, pois retarda a cicatrização das úlceras e aumenta o risco de recorrência. O stress psicológico não causa úlceras, mas pode agravar os sintomas.

Como Prevenir?

A prevenção passa por evitar as suas causas principais. Para a população em geral, isto significa usar os AINEs com prudência e apenas sob indicação médica. Em doentes que necessitam de tomar AINEs de forma crónica e que têm alto risco de úlcera, a co-prescrição de um fármaco protetor gástrico (IBP) é uma medida preventiva eficaz. A cessação tabágica é também uma medida preventiva importante.

Diagnóstico

O diagnóstico de suspeita é clínico. A confirmação e a distinção entre úlcera gástrica e duodenal são feitas através da Endoscopia Digestiva Alta, que permite a visualização direta da úlcera. Durante a endoscopia, é crucial realizar biópsias da úlcera (especialmente as gástricas, para excluir malignidade) e pesquisar a presença de H. pylori.

Tratamento

O tratamento visa aliviar a dor, cicatrizar a úlcera e prevenir a recorrência. Se a infeção por H. pylori estiver presente, o tratamento de erradicação com antibióticos e um IBP é o passo mais importante. Se a causa forem os AINEs, estes devem ser suspensos sempre que possível. A cicatrização da úlcera é promovida com um tratamento de várias semanas com Inibidores da Bomba de Protões (IBP). Em caso de complicações como hemorragia ou perfuração, são necessários tratamentos endoscópicos ou cirúrgicos de urgência.

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