Varicela

O que é?

A varicela é uma doença infeciosa aguda, extremamente contagiosa, causada pela primoinfeção com o vírus Varicela-Zoster (VVZ), o mesmo vírus que, ao reativar-se anos mais tarde, causa o Herpes Zoster (‘zona’). É uma doença clássica da infância, sendo que a maioria das pessoas é infetada antes da idade adulta em locais sem vacinação universal.

Sintomas

A doença manifesta-se tipicamente por febre baixa e mal-estar geral, seguidos pelo aparecimento de uma erupção cutânea muito pruriginosa (com muita comichão). A erupção começa como pequenas manchas vermelhas (máculas), que rapidamente evoluem para pápulas e depois para as lesões características: vesículas (pequenas bolhas com líquido claro, com aspeto de ‘gota de orvalho’). Estas vesículas acabam por formar crostas, que caem sem deixar cicatriz (a menos que haja infeção secundária). Uma característica chave é o polimorfismo regional: num determinado momento, coexistem lesões em diferentes estádios de evolução (manchas, vesículas, crostas). A erupção começa no tronco e face e espalha-se para o resto do corpo.

Causas

A causa é a infeção primária pelo vírus Varicela-Zoster. A transmissão é muito eficiente e ocorre por via respiratória (através de gotículas libertadas ao tossir ou espirrar) ou por contacto direto com o líquido das vesículas. Uma pessoa com varicela é contagiosa desde 1 a 2 dias antes do aparecimento da erupção cutânea até todas as lesões estarem em fase de crosta. As complicações são mais comuns em adolescentes, adultos e pessoas imunocomprometidas, e incluem a sobreinfeção bacteriana das lesões de pele e a pneumonia.

Como Prevenir?

A prevenção mais eficaz é a vacinação. A vacina contra a varicela é segura e eficaz na prevenção da doença ou na atenuação da sua gravidade. Em Portugal, faz parte do Programa Nacional de Vacinação. Para prevenir a transmissão, uma pessoa com varicela deve permanecer em isolamento, evitando o contacto com outras pessoas (especialmente grávidas não imunes, recém-nascidos e pessoas imunocomprometidas) até que todas as lesões estejam em fase de crosta.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, baseado no aspeto típico e na evolução da erupção cutânea, geralmente num contexto epidemiológico de contacto com outros casos. Os exames laboratoriais raramente são necessários, mas a infeção pode ser confirmada pela pesquisa do ADN viral por PCR a partir do líquido de uma vesícula.

Tratamento

O tratamento em crianças saudáveis é sintomático e visa aliviar a comichão e o desconforto. Recomenda-se o uso de soluções antissépticas para a pele, banhos com água morna e manter as unhas curtas para evitar lesões ao coçar que possam levar a infeções bacterianas secundárias. Podem ser usados anti-histamínicos orais para o prurido e paracetamol para a febre (a aspirina deve ser evitada em crianças devido ao risco de Síndrome de Reye). O tratamento com antivirais orais (aciclovir) não é rotineiramente recomendado para crianças saudáveis, mas deve ser considerado para adolescentes, adultos e pessoas com risco aumentado de doença grave.

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